Onde comer e beber em Santiago, Chile

Desembarquei em Santiago, Chile, com duas amigas para umas férias de 9 dias. Esta não foi minha primeira parada na capital, mas certamente a que destinei à boa comida e bebida. Fiz um mini, e bem mini mesmo, roteiro gastrônomico de Santiago só com o que realmente amei! Por aqui, você não vai encontrar os restaurantes mais badalados e estralados por dois motivos: alguns que escolhi estavam fechados, como o Osaka, e outros que tinha planejado dei de cara na porta por culpa da reserva. Aliás, esta é a primeira dica: RESERVE TUDO, os chilenos não são acostumados com fila de espera como nós!

PATIO BELLAVISTA

Foi o lugar que mais frequentamos durante a viagem. Como era próximo do hotel que ficamos, a comodidade de caminhar poucas quadras se tornou convidativa em dias que estávamos exaustos de tanto passear. Por lá, mais de 20 restaurantes de diferentes nacionalidades e preços. Funciona todos os dias até às 2h, e algumas casas aos fins de semana trazem shows. (tem todos os restaurantes e lojas neste link)

Nos arredores também há boas opções para comer e beber. O restaurante Galindo (rua Dardignac 98) é muito famoso por suas comidas típicas. Ele não é bonito ou agradável, já aviso, mas tem pratos para quem quer conhecer melhor a culinária chilena, como o famoso pastel de choclo (que esteticamente seria, a grosso modo, o nosso escondidinho, com a diferença de que por baixo há carne e frango em cubos, ovo cozido e azeitonas, e por cima um creme de milho).

BAIRRO LASTARRIA

O bairro onde estão ótimos restaurantes, pubs especializados em diferentes tipos de bebidas e bares. Me lembrou a nossa Vila Madalena, com a diferença de que por lá não há muito animo e badalação como aqui. Aliás, quem está pensando em aterrizar em Santiago em busca de animação, esqueça! Passamos 9 dias e o maior badalo que encontramos foi uma cantora chilena entonando “Estoy Aquí”, de Shakira, em um dos pubs.

CAFÉ DA MANHÃ

1 – THE HIP HOTEL: Um hotel-boutique dentro do complexo Patio Bellavista. O lugar é muito legal, vale conhecer de qualquer maneira. Logo na entrada há um bar, que à noite pode ser uma boa pedida para um drink. O café da manhã é servido na varanda (S33W70), que tem uma vista linda para a cordilheira. No menu, opções orgânicas bem preparadas e apresentadas. Comi uma das especialidades: Ovos mexidos de “galinhas felizes e criadas livres” com champignon, tomate e queijo de cabra. Para acompanhar, cortado (café com leite) servido com mel de agave ou açúcar de coco, esqueça o refinado! Horário para o café da manhã: das 8h às 12h.

Ovos mexidos de “galinhas felizes e criadas livres” com champignon, tomate e queijo de cabra

Sanduíche de pata negra com pimentões assados e queijo

2 – ERIC KAYSER: O famoso mago dos pães também desembarcou em Santiago, onde tem uma charmosa boulangerie no bairro Las Condes. Há opções prontas no balcão, ou na mesa, à la carte. Independente do que for comer, não deixe de provar os pães, são deliciosos e servidos quentinhos. Para o café, continuei com os ovos mexidos, aqui só com queijo, e uma baguete com manteiga (divina!). No Eric não há um horário limite, conseguimos comer em diferentes momentos do dia. É um bom lugar também para comprar lanches e refeições To Go. (rua Augusto Leguia norte 034)

ALMOÇO e JANTAR

1 – CONFITTERIA TORRES: É uma das mais conhecidas. Fui na unidade que fica na rua Isidora Goyenechea 2962, em Las Condes. O lugar é super charmoso, lembra os cafés coloniais. É preciso ir com tempo e uma leve dose de paciência. Os garçons são senhores extremamente simpáticos, que estão lá há séculos, mas, deixam um pouco a desejar na velocidade, no prestar atenção ao pedido e no atendimento. O que gostei foram os pratos: pasteizinhos de queijo e carne, sanduíche de salmão com cream cheese e rúcula, sopa de cebola e o strudel de maçã, que vem quente e acompanhado de sorvete de creme. De olho nas mesas alheias, vi pratos bem bonitos e opções generosas para compartilhar. (rua Isidora Goyenechea 2962)

Sopa de cebola com torrada com beijo

Sanduíche de salmão com cream cheese e baby rúcula

Ceviche

Strudel de maçã com sorvete de creme

2 – CHIPE LIBRE: Uma casa fantástica especializada em pisco do bairro Lastarria. O cardápio tem inúmeros rótulos e teores alcoólicos, o que lembra as nossas cachaçarias do interior. Drinks prontos fazem a alegria dos visitantes, mas o que me encantou foi o combinado de Pisco Kappa + Ginger Ale (um refrigerante de gengibre). O que não gostei: você não pode ir lá só beber, precisa comer. Segundo o garçom, os estabelecimentos possuem diferentes licenças, e a deles não permite o consumo só de bebidas (achei estranho). E por falar em comida, três pratos que você não pode deixar passar: a chapa de carne, frango, camarões e cogumelos (para compartilhar); O ceviche chileno (que difere do peruano na escolhas dos peixes e o tempero é feito tradicionalmente com limão e não com leche de tigre); e a lasanha de berinjela (me arrisco a dizer que é uma das melhores que já comi. Cada camada de berinjela é feita à milanesa). (rua José Victorino Lastarria, 282)

Lasanha de berinjela

Pisco Kapa com Ginger Ale

3 – CASA LASTARRIA: Do bairro homônimo, é um clássico, da arquitetura aos pratos. No menu, o tradicional pastel de choclo, que estava muito gostoso, e releituras contemporâneas, como o atum selado a la parrilla sobre cama de creme de ervilha, ervilha salteada, tomate cereja e panceta. O preço dos pratos são honestos, mas dos vinhos não tão convidativos quanto de outros lugares. (rua José Victorino Lastarria, 70)

É muito charmoso o rooftop do Casa Lastarria! O salão é mais clássico

Atum selado a la parrilla sobre cama de creme de ervilha, ervilha salteada, tomate cereja e panceta

Pastel de choclo

4 – QUITRAL FUEGO Y CAVA: Se o vizinho Casa Lastarria é clássico, aqui o contemporâneo é quem manda. Os pratos mais pedidos seguem tanto a estética quanto os ingredientes franceses. A arquitetura com pé-direito duplo e a decoração industrial de tijolos aparentes e pendentes de cobre me encantaram e me seguraram lá por duas garrafas de vinho (preço bom). Quem comeu recomenda as massas e os assados. (rua José Victorino Lastarria, 70, casa 4)

PARA BEBER

1 – BARRICA 94: Definitivamente o lugar que mais frequentei e gostei. Dentro do Patio Bellavista, o restaurante tem uma das maiores cartas de vinho em taças de Santiago. Fizemos diversas degustações, inclusive de uvas que nunca tinha ouvido falar, como País e Carigan, e tomamos garrafas a preços justos (praticamente mesmo preço das lojas e supermercados locais). Os garçons são extremamente educados, solicitos e atenciosos. Fazem questão de explicar e tirar todas as dúvidas. É possível jantar também por lá, os pratos são lindos – apesar de eu não ter comido nada além de tábua de queijos.

Meu favorito: uva País!

2 – BOCANÁRIZ: Assim como o Barrica 94, o Bocanáriz possui uma das maiores cartas de vinho em taças da cidade. É um dos restaurantes premiados da cidade, vale conhecer! Localizado no bairro de Lastarria, bem ao lado do restaurante Chipre Libre, ele tem uma proposta um pouco diferente do Barrica. É bem mais intimista, com poucas mesas e só trabalha com reservas. Para os que querem paz e silêncio, este é o lugar. Ao final da visita, perca alguns minutos para conhecer a adega no subterrâneo. (rua José Victorino Lastarria, 276)

Cada taça da degustação vem com informações do vinho

COMPRAS NO SUPERMERCADO

Sou viciado em supermercado e farmácia, e em Santiago há opções maravilhosas. O Jumbo é um dos mais legais, porém, é o mais caro. O Líder, do grupo Walmart, tem o melhor custo benefício. A padaria dos supermercados é de dar inveja, assim como os corredores de azeites e queijos. Estes, deliciosos. Comecei a viagem focada no queijo de cabra, um dos meus favoritos para tomar com vinho, mas terminei apaixonado pelo mantecoso. Há diversos tipos, como os defumados. Os pacotinhos com vários queijos para acompanhar o vinho é uma ideia se você vai fazer algumas das refeições na hospedagem e quer conhecer mais de um tipo.

Packs de queijos para comer com vinho

Outro item para comprar é destilado. As garrafas custam menos da metade do preço, comparado com São Paulo. Gin e vodca são as que mais compensam. Agora, se você está indo atrás do supermercado para comprar vinhos mas baratos, esqueça. Cheguei a encontrar opções com custos menores em lojas especializadas distribuídas pela cidade. Recomendo duas: a El Mundo del Viño (dentro do Centro Cultural Gabriela Mistral, no bairro Lastarria) e a Vinomio (Antonia López de Bello 090). Tem mais lugares para comprar vinho em Santiago neste link!

DICAS GERAIS: 

  • Vale muito a pena viajar para o Chile com milhas. Ao contrários dos absurdos que se cobram para um trecho como Rio-SP, para voar de São Paulo para Santiago são necessárias 20 mil milhas.
  • O câmbio é muito parecido aqui e lá. Troquei meu dinheiro no Brasil, mas vi em inúmeras casas de câmbio que o valor era o mesmo. A que mais utilizamos lá foi uma que fica bem perto do shopping Costaneira Center (passando pela passarela que liga o mall até o outro lado da rua, ela fica a poucos metros, do lado esquerdo da rua).
  • “Pô”. Não se assuste se ouvir um chileno falando “Hola, pô”, “Vinicius, pô”… Segundo um nativo, o “pô”, expressão que circunda todas as orações, seria como o nosso “né?”. A diferença é que por lá se usa muito no afirmativo e negativo, e não só no interrogativo.
  • Über – vale a pena pegar em Santiago, mas precisa ter cautela. A guerra entre eles e os taxistas ainda é muito forte, principalmente em regiões como shoppings e aeroportos. Portanto, cuidado ao pedir em alguns destes pontos. Minha dica é usar taxi apenas quando for preciso sair do shopping Costaneira Center. O trânsito na capital é muito pesado, e assim como no Brasil, os taxistas podem circular pelas faixas de ônibus sem problema.

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